Nas asas de Pégaso…

Às vezes, muitas vezes, a vida empurra-nos para situações que nos parecem injustas. De uma forma absolutamente aleatória, embora nos pareça que não, somos confrontados com uma realidade que preferíamos evitar. E é nessas ocasiões que o nosso verdadeiro EU se revela. Para o bem e para o mal.  É nesses momentos, de dificuldade e tensão, que são convocados os nossos medos, as nossas emoções, as nossas aspirações. E, no turbilhão de acontecimentos, soltam-se as máscaras, se é que as usávamos, e ficamos a nu, despidos dos ornamentos absurdos com que, alguns de nós,  julgávamos ser capazes de ocultar o deserto e o desamor que reinava nas nossas vidas.

E eis que nos surgem os caminhos possíveis. A verdade dos sentimentos, verdade  que nos expõe, nos torna vulneráveis, mas também nos liberta  e nos permite abraçar os desafios e as batalhas a travar para conquistar o que sabemos merecer. Verdade que nos exige dar as mãos, trabalhar em conjunto, reconhecer fraquezas, ser capaz de delegar no outro as nossas incapacidades. Verdade sinónimo de confiança, de paridade. E depois, sempre, não perder o rumo do que é realmente o cerne da questão, do que é o mais importante na nossa demanda. Agir abdicando da mesquinhez do estrelato. Tomar atitudes verticais. Criticar para construir. E seguir… seguir… seguir… até conseguir!

Ou então optamos pela reinvenção das máscaras. Tomamos o nosso papel como o do protagonista. Assumimos o controlo descontrolado da situação. Perdemos o Norte, o Sul e qualquer Ponto Cardeal que podia fundamentar a nossa acção. Boicotamos parcerias. Iludimos, ou pensamos que iludimos. Perdemos tempo e energia… Rasteiramos. Distribuímos culpas. E perdemos tempo e energia… Lutamos por um trono imaginário e vazio de sentimentos. E perdemos tempo e energia… E quando olhamos em volta, já só vemos perda… porque há coisas que nunca mais se reconstroem, se ousámos desbaratá-las … E quando finalmente percebemos o que poderia ter sido feito… JÁ PODE SER DEMASIADO TARDE PARA O FAZER…

Às vezes, muitas vezes, a vida empurra-nos para situações que nos parecem injustas. De uma forma absolutamente aleatória, embora nos pareça que não, somos confrontados com uma realidade que preferíamos evitar. Evitá-la pode ser impossível mas podemos tentar modificá-la. Com DIGNIDADE. Com JUSTIÇA. Com FRONTALIDADE. Com PAIXÃO…

Educadora Carla Gomes

15 de Agosto de 2009

 
Constatei, um destes dias,  com algum orgulho maternal, que a minha filha tinha assumido como frase no messenger, uma citação de Einstein que diz que ” o único sitio em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”.
Esta frase fez-me pensar no imenso marasmo em que a nossa sociedade cívil está mergulhada e em quantos esperam o sucesso sem para ele contribuírem com o mínimo esforço.
E pensei particularmente na escola, como não poderia deixar de ser. Muito se tem falado da qualidade escola, dos professores e das suas reivindicações, justas ou injustas, pertinentes ou não.
No ensino, como em outras áreas profissionais, encontramos pessoas que não têm  qualquer apetência para as tarefas que estão a desempenhar e que anseiam  que o tempo se escoe velozmente para depressa abandonarem a origem  do seu sacrificio.
Outros, bem intencionados ensinam os meninos a ler. Mas saber ler não chega. É preciso aprender a interpretar a realidade, a agir sobre ela, a reescrevê-la.
Ensinam os alunos a contar, a somar, subtrair, multiplicar e dividir. Mas saber as operações básicas da matemática é insuficiente. Urge ensinar a raciocinar com rapidez e método. A descobrir soluções criativas e inovadoras.  A aliar o conhecimento matemático a todas as vivências e a todas as áreas de estudo.
Em tempos conturbados, como os de hoje, não chega ser razoável, ou mesmo bom. Há que ser MUITO BOM.
Muitos alunos têm professores bem intencionados e que se esforçam. Poucos são os que têm a sorte de encontrar um professor que os ame, que tenha como prioridade a qualidade do seu trabalho em detrimento da sua vida pessoal,. Que trabalhe para o sucesso dos alunos não apenas no Primeiro Ciclo, mas para o seu sucesso no futuro. Que conte com os Encarregados de Educação e lhes dê espaço e voz.
Agora, quando os professores dos Quadros de Vinculação estão de novo com as malas prontas e sem saber para onde o próximo concurso os vai atirar, vale a pena avaliar(já que tanto se tem falado de avaliação), o quanto pode um professor pesar na vida dos nossos filhos, que rumo ele pode ajudar a traçar para o futuro deles.
E, usando de assertividade, AGIR!
E, claro, contar sempre com o TRABALHO antes do SUCESSO :)
 

 

O PINTOR DE SONHOS

 

Pela janela lateral da Biblioteca entrava um fio de luar que iluminava a prateleira dos livros de aventuras.

Um dos livros, o último da prateleira, esquecido, arrumado à pressa, equilibrava-se numa posição instável e periclitante.

De repente, uma rajada mais forte de vento, escancarou a janela da Biblioteca e o último livro da prateleira de aventuras estatelou-se no chão.

Sair da prateleira agradou-lhe. Sentiu-se livre, finalmente independente ao fim de tanto tempo encostado aos outros livros.

Caminhou pela Biblioteca silenciosa em direcção à porta e, com uma força que nunca julgou ter, empurrou a porta e saiu.

O vento desfolhou as suas páginas, umas repletas de histórias de alegria e triunfo. Muitas cobertas de letras esborratadas por lágrimas amargas. Algumas preenchidas com poemas de sonho e gargalhadas. As últimas, brancas e vazias…motivo pelo qual ultimamente poucos se interessavam por lhe pegar…

O livro correu para o Bosque do Crescente Azul pois não queria ser encontrado, nem regressar à velha prateleira de onde ninguém o tirava.

Aos tropeções, correu e saltou, acabando por cair exausto no fundo da ravina. Ali ficou, durante dias e dias, sem que nada ou ninguém desse pela sua existência.

Num fim de tarde ensolarado, o Pintor passou pelo bosque à procura das pedras que tanto o inspiravam e, ao descer a ravina, encontrou o livro, coberto e pó, as folhas amarrotadas, a capa desbotada…

Pegou-lhe e levo-o consigo.

Numa noite em que, como habitualmente, o sono teimava em não chegar, pegou no livro e desfolhou cuidadosamente as suas páginas. Desvendou alguns dos seus mistérios e foi com perplexidade que percebeu que muitas daquelas páginas ainda se encontravam em branco.

Então, o Pintor, pegou na sua paleta de tintas e, com o cuidado que só uma mão sensível e um coração generoso conseguem ter, começou a pintar as páginas vazias do livro.

Pintou barcos e cidades. Pintou comboios e paisagens. Pintou a Lua acordando os animais do Bosque para a Festa do Solstício de Verão.

Em cada página, o branco foi substituído pelas cores da magia e da amizade. O nada encheu-se de tudo. O brilho e a transparência ocuparam as páginas brancas e opacas.

Era chegada a última página. O Pintor quis continuar mas percebeu que as suas tintas estavam momentaneamente esgotadas. Sobrava apenas o branco e o preto, as cores que sempre evitava usar.

Mas não queria parar… Os livros são companheiros que não se abandonam assim à sua sorte…

Foi então que a ideia começou a tomar forma na sua cabeça… pegou no pincel e fez um traço preto, depois outro e outro… e um pouco de branco aqui… e acolá.

Quando terminou ficou satisfeito com o resultado. No meio da página antes branca e mortiça, via-se agora, de orelhas arrebitadas, olhos curiosos e crina ondulante… UMA ZEBRA!

Como sempre fez, diariamente, o Pintor entra no Bosque do Crescente Azul, reúne os animais, fiéis companheiros na aventura do aprender, e partilha o seu saber com o entusiasmo de quem ama o que faz.

Agora, leva consigo o livro e a Zebra perseverante, e em conjunto com os animais do Bosque, sonham, a cada dia, o FUTURO.

 

Educadora Carla Gomes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Estamos de volta à Escola.

Poderíamos ter começado dessa forma cinzenta e rotineira como habitualmente acontecem os recomeços.

MAS NÃO…

À nossa frente estendeu-se o tapete vermelho, o céu encheu-se de luz e o arco-íris espelhou-se nos olhos dos nossos heróis.

Recomeçámos num turbilhão de cor e magia e voltámos a dar  sentido à palavra EDUCAR.

Regressámos à Escola e vamos pintá-la da cor da ESPERANÇA.

UM DIA DE CADA VEZ… TODOS OS DIAS… A PLANTAR SONHOS E A FAZÊ-LOS CRESCER…

 

Educadora Carla Gomes

 

Desci da montanha à praia.

A terra inteira parecia descer pela colina abrupta,

Para se afundar naquela praia pedregosa.

 

Cumes altos, escarpas a pique,

rochas caídas e calhaus rolados

pelo mar sempre revolto.

 

Pedras feias, sem forma dos suaves seixos das praias de areia.

Pedras negras, como entulho de demolição vulcânica.

Pedras arrancadas às entranhas da terra.

 

Guardei um seixo da praia,

mesmo feio, negro

e sem forma de seixo.

 

Pus-lhe um nome e liguei-o às minhas pesquisas

sobre o fim da terra e o princípio do mar.

Liguei-o também às recordações do meu amigo escultor,

que andava à procura de formas nas pedras perdidas.

 

Pensei que ali abandonado entre pedras negras,

aquele seixo era como uma criança escorraçada,

alheia ao que se passa nela e nos outros

e tratei-o como se fosse um objecto, não uma pedra.

 

O meu seixo vive entre outros objectos que guardo com amor

e às vezes ao vê-lo arrancado ao caos

da sua morada,

penso que se há crianças sem alma

elas são como os seixos sem forma,

feitos do nosso egoísmo e da nossa indiferença.

Dr. João dos Santos

 

 Voltaremos a falar de EDUCAÇÃO…

(Educadora Carla Gomes)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Hoje em dia fala-se muito do Paradigma da Educação

COMO SE EDUCA?…

PARA QUE SE EDUCA?…

 

_ Educa-se para a obtenção de boas notas nos exames, dirão aqueles para quem o fim último do ensino/educação deve ser a aquisição de um qualquer diploma universitário e a colocação num emprego estável e duradouro;

_ Educa-se para a inserção na sociedade da informação, dirão aqueles que assimilam o mundo através do monitor de um computador;

_ Educa-se para atingir a liderança e o estrelato, dirão os que acreditam que fama é sinónimo de sucesso;

_ Educa-se para competir e obter lucro, dirão todos os que colocam sempre o proveito próprio em primeiro plano;

_ Educa-se para a moral e o bom comportamento, dirão os vassalos da ordem e da obediência;

 

Permitam-me usufruir de livre arbítrio e acreditar que…

Se educa para a liberdade

         Liberdade para aprender ao seu próprio ritmo

             Liberdade para aprender mais, segundo os seus interesses e vivências

                  Liberdade para errar

                        Liberdade para ser…

Se educa com e para a imaginação

              Imaginação para assimilar o mundo

                    Imaginação para transformar a realidade em algo cada vez melhor

                            Imaginação no relacionamento que estabelecemos uns com os outros…

Se educa para o optimismo

              Optimismo para acreditar em si próprio

                     Optimismo para descobrir o tesouro guardado em cada um de nós e nos outros

                             Optimismo para enfrentar as dificuldades…

Se educa para o sonho

            Sonho de um mundo melhor

                  Sonho de uma realidade mais justa

                         Sonho de perseguir e alcançar os próprios desejos…

Se Educa para o amor

             Amor ao verde intenso das florestas

                  Amor ao azul profundo dos mares

                      Amor à imensidão dos céus cobertos de estrelas

                         Amor ao colorido simétrico e perfeito das asas de uma borboleta

                             Amor ao padrão inédito da pelagem de cada zebra

                                Amor à mais pequena partícula de pólen e à maior de todas as rochas

                                    Amor à transparência dos sentimentos

                                         Amor à verdade das emoções

                                              Amor à VIDA !

 

                                                                                                  Educadora Carla Gomes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Biblioteca estava em silêncio. Aliás, toda a cidade dormia embalada pela brisa que soprava do lado do rio. As sombras eram a única companhia do luar e dos gatos que deambulavam pelos telhados.

 

Em tempos conturbados como os de hoje não chega ser razoável,  ou mesmo bom. É preciso ser MUITO BOM.
Muitos ensinam regras a cumprir. Mas é necessário incutir o espírito crítico e a capacidade de questionar as regras, de as seguir, ou não,de acordo com um conceito de liberdade que promova o respeito por todos e por cada um.
Muitos alunos têm professores bem intencionados e que se esforçam. Poucos são os que têm a sorte de encontrar um professor que os ame, que tenha como prioridade a qualidade do seu trabalho em detrimento da sua vida pessoal. Que trabalhe, não apenas para o sucesso dos alunos no primeiro ciclo, mas para o seu sucesso no futuro. Que conte com  os Encarregados de Educação e lhes dê espaço e voz.
Agora, quando os professores dos Quadros de Vinculação estão de novo com as malas prontas e sem saber para onde o próximo concurso os vai atirar, vale a pena avaliar ( já que tanto se tem falado de avaliação), o quanto pode um professor pesar na vida dos nossos filhos, que rumo ele pode ajudar a traçar no futuro deles.
E, usando de assertividade, AGIR!
E, claro, contar sempre com o TRABALHO antes do SUCESSO :)

 

 

 

 

 

 

O PINTOR DE SONHOS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma resposta

28 11 2008
Dulce Marques

Educadora Carla,

Quando tiver um tempinho, por favor, continue a escrever.
A pequena história “O Pintor de sonhos” é emocionante.
Subtilmente se entenderá que qualquer semelhança “não será” pura coincidência.
Bem-haja pelo tempo que ocupa com os nossos meninos.

A mãe do cavalinho.

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